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Concurso Parque do Bixigafechar ×

2026

Concurso

 
 

Ficha técnica

2026

Arquitetura:
SIAA + C720
Cesar Shundi Iwamizu
Bruno Valdetaro Salvador
Luís Tombé
Mario Camargo

Colaboradores:
Alejandra Polania
Avril Figueroa
Bianca Juliasz
Beatriz Bitencourt
Daniel Salinas
Gustavo Bunese
Hector Yudi Yokoyama
Lina Valencia
Paulo Cantoni
Sebastián García
Stefanny Oliveira

Consultores:
Adriano Ricardo Estevam (Hidrostudio Engenharia)
Júlio Fracarolli Canholi (Hidrostudio Engenharia)
Roberta Ferreira Zatz (Estúdio Rôza)

Concurso Parque do Bixiga
São Paulo, SP, Brasil

A implantação do Parque Municipal do Bixiga representa a transformação de um território historicamente marcado por disputas urbanas em um espaço público de encontro entre natureza, memória e cultura. Mais do que um projeto arquitetônico isolado, esta proposta é entendida como síntese das lutas, sonhos e projetos de inúmeros grupos que imaginaram o futuro deste território. 

O parque é concebido como infraestrutura de conexão urbana no coração do Bixiga. Sua implantação parte da leitura dos fluxos cotidianos provenientes das ruas Japurá, Jaceguai, Abolição e Santo Amaro, permitindo que o parque funcione simultaneamente como espaço de passagem, encontro e permanência. 

O desenho organiza-se a partir de fluxos rizomáticos, múltiplos e não hierárquicos, diluindo a fronteira entre cidade e parque e ampliando a permeabilidade do espaço público. Os três setores do parque — ambiental, teatral e de lazer — não são concebidos como zonas estanques, mas como partes interdependentes de um mesmo sistema espacial. 

Para articular os diferentes platôs do terreno propõe-se um elemento construído contínuo, composto por leves estruturas de metal e madeira, acopladas aos muros e empenas existentes, funcionando como dispositivos parasitas que ativam superfícies antes residuais. Assim, antigos fundos de lote são transformados em fachadas ativas voltadas para o parque. Ocasionalmente, estas passarelas podem ser apropriadas como estrutura cênica para espetáculos e intervenções artísticas, ampliando o diálogo com o Teatro Oficina. 

Na porção mais baixa do terreno localiza-se o setor ambiental, onde se propõe a renaturalização do Córrego do Bixiga, cuja sinuosidade do traçado reduz a velocidade das águas, enquanto dispositivos hidráulicos permitem o controle da vazão e constituem pontos de apoio para passarelas leves de contemplação. O setor teatral, estruturado pela presença do Teatro Oficina, transforma o parque em extensão do espaço cênico. Uma plataforma elevada articula as cotas do terreno e permite a expansão das atividades culturais, reforçada pela abertura ampliada nas alvenarias posteriores do teatro. A topografia permite ainda a criação de um recinto aberto para apresentações ao ar livre, com arquibancadas integradas à paisagem. Sob a praça seca do setor teatral propõe-se ainda um reservatório de retenção capaz de regular picos de vazão durante chuvas intensas, dimensionado por equipe especializada. Na porção mais alta do terreno organiza-se o setor de lazer, destinado ao uso cotidiano do parque. O plano entre edificações abriga quadra poliesportiva, hortas urbanas e espaços de convivência, além de equipamentos de apoio. 

A estratégia paisagística prioriza a manutenção das espécies nativas e da massa arbórea existente, especialmente a vegetação consolidada na porção central do lote. O plantio é complementado com espécies nativas da flora paulistana, ampliando a biodiversidade e reforçando a resiliência ecológica do sistema. Na várzea do córrego, espécies adaptadas a solos inundáveis contribuem para a filtragem natural das águas, estabilização das margens e redução da velocidade do fluxo.