Câmara de Vereadores de Erechimfechar ×
2024
Concurso
Ficha técnica
Concurso - Reforma e Ampliação de Edifício Público
Projeto: 2024
Arquitetura:
Bruno Valdetaro Salvador
Cesar Shundi Iwamizu
Marcelo Ribas Marçal
Maria Clara Calixto
Estrutura: Hélio Olga Jr. (Ita Construtora)
Ar-condicionado: Roberto Akio Hattori
Instalações: Daniel Kenji
Orçamento: Raoni Nakamura
Área construída: 3743,19m²
Rio Grande do Sul
Câmara de Vereadores – Erechim, RS – Brasil
*2º prêmio em competição nacional de arquitetura
O projeto de restauração e ampliação da Câmara de Vereadores de Erechim considera a preservação de um edifício representante do patrimônio histórico moderno desta cidade, ao mesmo tempo em que o expande a fim de abrigar novos programas.
O partido de intervenção adotado procura valorizar a inequívoca relação urbana deste edifício com seu entorno próximo, resgatando e amplificando a transparência e fluidez de seu pavimento térreo, contraponto entre a caixa suspensa e o embasamento sólido, parte das intenções presentes no partido do projeto original.
A adição de um novo volume programático no lote vizinho, não só respeita e reafirma essa disposição espacial – um térreo público entre volume elevado e base – como é pensado como conjunto, em uma relação de respeito e equilíbrio entre o antigo e o novo.
Pensados como unidade, os dois edifícios se somam mutuamente, articulados por um hiato onde se posiciona uma torre de elevador e escada em meios níveis, viabilizando a necessária fluidez entre programas, mas permitindo também o oportuno faseamento de obras que reduz a interrupção de funcionamento da Câmara durante sua construção e reforma.
Além desta circulação vertical centralizada, foi criada uma escada amarela de aspecto escultórico e caráter público no edifício antigo, a fim de se conectar o saguão do térreo à parte do memorial posicionado no piso superior – onde se descortina o Painel de Carli Testa ser preservado –, mas permitindo também acesso direto, de acentuado caráter simbólico, ao gabinete da presidência.
Na extremidade oposta, próximo à divisa posterior onde se posiciona o novo volume, o sistema de circulação vertical se complementa estrategicamente por meio de escadas que permitem conexão entre o conjunto de gabinetes ao setor programático do Plenário. Ao mesmo tempo, um corredor em “L” junto à divisa lateral dos dois lotes, viabiliza a ligação entre Plenário e Plenarinho e o setor de comunicação e imprensa localizado no embasamento do edifício original.
Em contraponto ao caráter modular e funcional do conjunto de 21 gabinetes para vereadores, o setor do Plenário ganha pé-direito elevado adequados às suas funções e se posicionam em continuidade ao térreo público e transparente, tanto com ligações privativas para os usuários do edifício, quanto com a possibilidade de conexão franca com a rua, solução adequada ao caráter público e democrático do edifício.
Do ponto de vista construtivo, o novo embasamento em concreto armado viabiliza o uso dos subsolos como estacionamento, atividades de apoio, serviços ou depósitos que, quando oportuno, se voltam a pátios ajardinados e rebaixados junto ao recuo frontal ou no vazio entre os dois volumes.
Em oposição ao caráter estereotômico da base, e sobre a área envidraçada destinada às plenárias, se posiciona uma estrutura tectônica, leve e modular, cujas peças em madeira laminada colada associadas a tirantes metálicos diagonais, constituem treliças coadunadas com o ritmo das divisórias entre gabinetes, possibilitando obter os vãos adequados às plenárias e, simultaneamente, expressando por meio da arquitetura e de seus materiais, a necessária mensagem em relação às urgentes questões ambientais, a exemplo dos recentes e trágicos acontecimentos neste Estado.
Nesta proposta, priorizamos o atendimento às solicitações programáticas e funcionais do edital, bem como às imposições das restrições legais, sem qualquer prejuízo à qualidade dos espaços e à poética de uma arquitetura voltada às relações com a cidade, ao espaço público e ao meio ambiente. Além disso, por se tratar de um edifício modular e pensado de forma sistêmica, o partido adotado permite flexibilidade para ajustes ou adaptação do método construtivo, segundo às condições específicas – legais ou de necessidades dos clientes – durante o eventual desenvolvimento do projeto.