Concurso Sesc Thermas: Presidente Prudentefechar ×
2025
Concurso
Ficha técnica
Concurso Sesc Thermas
Presidente Prudente, SP - Brasil
Ano do projeto: 2025
Arquitetura:
SIAA + C720
Cesar Shundi Iwamizu
Bruno Valdetaro Salvador
Mario Camargo
Luis Tombé
André Ferreira
Beatriz Sonnenhohl
Beatriz Bitencourt
Bianca Juliasz
Giulia da Cruz
Julia Ota
Stefanny Oliveira
Alejandra Polanía
Lina Valencia
Natalia López
Estudantes:
Lucas Rosa
Sebastian Arias
Presidente Prudente
Projeto com Menção Honrosa!
Abertura ao Parque
A proposta para o Sesc Thermas de Presidente Prudente parte da premissa de que a arquitetura deve promover a continuidade entre o equipamento, a cidade, suas áreas verdes e seus rios. Mais do que uma unidade implantada em meio ao verde, o projeto assume o desafio de conceber um SESC que se apoie na paisagem natural e urbana para criar uma nova centralidade social, ambiental e cultural. O edifício proposto é pensado como o principal acesso ao conjunto urbano e paisagístico, a partir de uma praça coberta e aberta que se organiza os programas e se configura como um vazio de livre acesso entre a rua e o parque. Por meio de uma ponte, conecta-se também ao tecido urbano da margem oposta, criando acessos alternativos ao conjunto.
A presença do córrego – ainda que enterrado – e da vegetação orientou a setorização do parque em duas partes: ao norte, uma área de lazer com percursos, quadras e hortas; ao sul, um setor ecológico com passarelas elevadas que garantem a fruição pela massa e a conexão com a reserva verde da UNESP. Em ambos os casos se respeitam os recuos legais em relação ao corpo d’água em sua condição como área sujeita a alagamentos.
A partir desta mesma praça de acesso, o programa se organiza na cota 400,00 em duas direções:
Ao norte, localizam-se foyer, salas multiuso, biblioteca, teatro e áreas técnicas – camarins, docas – e acesso ao estacionamento público. A esplanada na esquina do lote permite acesso independente ao foyer do teatro de modo independente ao uso do SESC e também considera uma abertura do palco para a praça coberta, permitindo diferentes utilizações da estrutura cênica para eventos de maior escala. Ao sul, concentram-se os espaços de convivência, exposições, sala multiuso, comedoria, programa Bem Viver e áreas técnicas. Acima, com acesso direto da rua a partir da cota 403,50, foram implantadas a central de atendimento, loja, odontologia, ginástica, administração e áreas técnicas das piscinas, entre outros programas. Ainda que separados pelo hiato da praça, os dois setores são conectados por passarelas, formando um conjunto de caráter topográfico e de acentuada horizontalidade. Construído em concreto armado com modulação regular e vãos convencionais, a estrutura parte do subsolo até seu plano de cobertura, espaço que alterna áreas descobertas com programas de grande escala como o ginásio e o conjunto aquático.
Sobre esse embasamento, destacam-se volumes verticais intermediados por vazios capazes de criar aberturas visuais em direção ao parque: o urdimento do teatro, o reservatório de água, as coberturas do ginásio e das piscinas, composição que contrasta elementos sólidos – como a torre do teatro e reservatório – a estruturas metálicas com coberturas em madeira laminada, solução pensada para privilegiar a iluminação natural, viabilizar os volumes em balanço de materialidade ligeira, alternando superfícies opacas, translúcidas ou transparentes.
Do ponto de vista ambiental, foram considerados sistemas de captação de energia integrada ao desenho arquitetônico das coberturas, solução que se adequa à redução de climatização mecânica a espaços específicos – como teatro, odontologia ou exposições -, permitindo que a maioria dos ambientes e circulações sejam naturalmente ventilados e sombreados por dispositivos de fachada capazes de garantir a unidade ao conjunto em todo o perímetro da base. Tais ações, da escala dos pormenores ao todo, reafirmam o compromisso com uma arquitetura ambiental, sensível à paisagem e a delicada escala do entorno urbano de Presidente Prudente.
Obra aberta e flexível, o projeto permitirá apropriações imprevistas ao longo do tempo pelas equipes do SESC e pela população de Presidente Prudente, e ainda sugere transformações futuras em suas áreas livres e alguns questionamentos: Quando será possível revelar as águas do córrego atravessando o parque? O SESC conseguirá restabelecer a continuidade do corredor verde com as áreas adjacentes?